sábado, 16 de abril de 2011

(In)Sanidade

Já não me sinto em mim. Não sei se alguma vez me senti. Faço tudo para sentir alguma coisa, e nada consigo sentir. Nada já é sentir qualquer coisa, mas o que eu queria sentir era eu mesma e isso não consigo. Vejo-me sem me ver - este é desde sempre o maior problema. Ou será que me vejo mesmo e não me quero ver? E porque não me quero ver se também não gosto do que tento ver? Para quê tentar ver? E para quê tentar pensar sobre isto? Pensar só faz com que tenha consciência de que não sinto nada. Nem o eu verdadeiro, nem o eu que criei. Mas como consigo distinguir cada um deles sem pensar quem sou mesmo eu? E isso interessa? A mim já não. Limito-me a ver cada imagem que faço por ver, reflexões do que tento mostrar. E se não faço de todo por me ver, o que vejo sou eu mesma? Como sei o que sou eu? E se isso não me interessa, porque quero saber? Como sei que existo? Mas eu existo? Loucura ou sanidade, se na verdade não as sei distinguir? Loucura.

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